- Formada em Letras pela Universidade Estadual de Campinas, com Mestrado sobre a produção teatral brasileira de fins do... moreFormada em Letras pela Universidade Estadual de Campinas, com Mestrado sobre a produção teatral brasileira de fins do século XIX e Doutorado que investiga a relação que os cronistas brasileiros de 1894 a 1922 estabeleceram com o cinema. É pós-doutora (com bolsa FAPESP) pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de S. Paulo, com pesquisa que investiga a relação entre o cinema silencioso e as outras artes (literatura, música e teatro). É coorganizadora de edições anotadas de seletas de contos de escritores brasileiros, e coautora da tradução ao português e apresentação do melodrama teatral francês A Estalagem dos Trampolineiros (L'Auberge des Adrets, 1823). Tem publicados artigos acerca da literatura, do teatro e do cinema, seus três campos de interesse. É editora do blog Filmes, filmes, filmes!. E-mail: megchristie@gmail.com.edit
Analisamos o vaudeville alemão O Cinematógrafo (1897), encenado em português no Rio de Janeiro por diversas companhias, no início do século XX. A peça atesta o largo alcance do cinema logo nos primeiros tempos, bem como o seu espraiar... more
Analisamos o vaudeville alemão O Cinematógrafo (1897), encenado em português no Rio de Janeiro por diversas companhias, no início do século XX. A peça atesta o largo alcance do cinema logo nos primeiros tempos, bem como o seu espraiar pelos meandros de outras manifestações artísticas. O teatro torna-se exemplo incontornável ao cinema, como a historiografia desta arte já teve a oportunidade de demonstrar. Daí a apropriação, pelas telas, de temáticas, da mise-en scène e de gêneros em voga nos palcos. O Cinematógrafo inverte as coordenadas segundo as quais a milenar arte teatral vertia a sua seiva na nova arte. Procuramos pensar o cinema em sua relação com as demais manifestações culturais de seu tempo. Neste sentido, ao mesmo tempo em que esta obra apresenta um fértil caminho para o estudo da recepção do cinema por parte de suas primeiras plateias, torna-se espaço privilegiado para o exame da distensão dos limites das artes.
Research Interests:
Resumo: O artigo busca refletir sobre a presença do som nos cinemas cariocas durante o primeiro cinema. Para isso, procura lidar com as inúmeras ausências inerentes ao seu objeto: ausência da película fílmica, do acompanhamento sonoro, de... more
Resumo: O artigo busca refletir sobre a presença do som nos cinemas cariocas durante o primeiro cinema. Para isso, procura lidar com as inúmeras ausências inerentes ao seu objeto: ausência da película fílmica, do acompanhamento sonoro, de registros detalhados a respeito da organização das salas e das reações dos espectadores. Realiza-se uma análise transdisciplinar, atenta às relações que o cinema estabeleceu com uma vasta gama de manifestações culturais suas contemporâneas. Por meio da investigação das fontes primárias que restam sobre este objeto fugidio, como crônicas, anúncios e contos publicados na imprensa da época, e da documentação da Família Ferrez depositada no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, são examinadas as sonoridades presentes na sala de exibição, considerando-se não apenas o acompanhamento sonoro empírico dos filmes, mas a evocação dos sons motivada pelo cinema, e a relação que isto estabelece com um imaginário de cidade.
Palavras-Chave: Cinema e outras artes. Cinema e História. Cinema e Som. Cinema Silencioso. Imprensa.
The study of the uses of sounds in Rio’s cinemas from its remains (1895-1916)
Abstract: The article seeks to reflect on the presence of sounds in Rio’s cinemas during the early cinema. In order to do so, it seeks to overcome numerous absences: of the film, of the sound accompaniment, of extensive information regarding the organization of the city’s cinematographic sound space and of public reactions. We perform a transdisciplinary analysis which is attentive to the relationships that cinema has established with a wide range of contemporary cultural manifestations. Through the investigation of the primary sources that remain of this elusive object, such as chronicles, advertisement and short stories published in the press at the time, as well as the Ferrez Family documents deposited in the Arquivo Nacional, in Rio, the aim is to examine the sounds present in the venues considering not only the empirical sound accompaniment of the films, but the evocation of sounds motivated by cinema, and the relationship that it establishes with a imaginary of city.
Keywords: Cinema and other Arts. Cinema and History. Cinema and Sound. Silent Cinema. Press.
Palavras-Chave: Cinema e outras artes. Cinema e História. Cinema e Som. Cinema Silencioso. Imprensa.
The study of the uses of sounds in Rio’s cinemas from its remains (1895-1916)
Abstract: The article seeks to reflect on the presence of sounds in Rio’s cinemas during the early cinema. In order to do so, it seeks to overcome numerous absences: of the film, of the sound accompaniment, of extensive information regarding the organization of the city’s cinematographic sound space and of public reactions. We perform a transdisciplinary analysis which is attentive to the relationships that cinema has established with a wide range of contemporary cultural manifestations. Through the investigation of the primary sources that remain of this elusive object, such as chronicles, advertisement and short stories published in the press at the time, as well as the Ferrez Family documents deposited in the Arquivo Nacional, in Rio, the aim is to examine the sounds present in the venues considering not only the empirical sound accompaniment of the films, but the evocation of sounds motivated by cinema, and the relationship that it establishes with a imaginary of city.
Keywords: Cinema and other Arts. Cinema and History. Cinema and Sound. Silent Cinema. Press.
Research Interests:
Este trabalho busca oferecer um caminho de análise da circulação cinematográfica carioca de 1895 a 1916, no que tange à relação estabelecida entre o cinema e o som, a qual procure debelar as inúmeras ausências inerentes ao seu objeto: do... more
Este trabalho busca oferecer um caminho de análise da circulação
cinematográfica carioca de 1895 a 1916, no que tange à relação estabelecida entre o cinema e o som, a qual procure debelar as inúmeras ausências inerentes ao seu objeto: do material fílmico, das partituras que faziam o acompanhamento musical das fitas, de registros extensivos a respeito da organização do espaço sonoro dos cinematógrafos da cidade. Fundamenta o trabalho a hipótese de que os filmes veiculados no Brasil no período utilizaram-se largamente de gêneros musicais e de estratégias da cena teatral musicada já consolidados no país, visando à conquista do público. Para tanto, a investigação procura articular o filme à forma e conteúdo
dos espetáculos teatrais (tanto a produção de metalinguística quanto aquela composta por maestros atuantes na cidade), bem como ao gênero cronístico e enfim, ao fundo documental da Família Ferrez, que comercializou no país a cinematografia da Pathé durante parte deste período.
cinematográfica carioca de 1895 a 1916, no que tange à relação estabelecida entre o cinema e o som, a qual procure debelar as inúmeras ausências inerentes ao seu objeto: do material fílmico, das partituras que faziam o acompanhamento musical das fitas, de registros extensivos a respeito da organização do espaço sonoro dos cinematógrafos da cidade. Fundamenta o trabalho a hipótese de que os filmes veiculados no Brasil no período utilizaram-se largamente de gêneros musicais e de estratégias da cena teatral musicada já consolidados no país, visando à conquista do público. Para tanto, a investigação procura articular o filme à forma e conteúdo
dos espetáculos teatrais (tanto a produção de metalinguística quanto aquela composta por maestros atuantes na cidade), bem como ao gênero cronístico e enfim, ao fundo documental da Família Ferrez, que comercializou no país a cinematografia da Pathé durante parte deste período.
Research Interests:
David Robinson (1930) is an inescapable character in the historiography of cinema, especially silent cinema. Besides being film critic and author of a vast bibliography – which includes books such as Hollywood in the Twenties (1968), The... more
David Robinson (1930) is an inescapable character in the historiography of cinema, especially silent cinema. Besides being film critic and author of a vast bibliography – which includes books such as Hollywood in the Twenties (1968), The History of World Cinema (1973), and the official biography of Charlie Chaplin, Chaplin: His Life and Art (originally published in 1985) – Robinson also plays an active role in Giornate del Cinema Muto (or Pordenone Silent Film Festival), an annual event that takes place in October in the small town of Pordenone, in northern Italy. Throughout the interview, which took place in the last Giornate, Robinson discusses extensively about the filmic object, from the materiality of the film to the historical senses linked to the works, highlighting the fundamental importance of archival research, cataloging, preservation, restoration and diffusion of the audiovisual work produced during the vogue of silent cinema.
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David Robinson (1930) é personagem incontornável na historiografia do cinema, em especial do cinema silencioso. Além de crítico e autor de uma vasta bibliografia – que inclui obras como Hollywood in the Twenties (1968), The History of... more
David Robinson (1930) é personagem incontornável na historiografia do cinema, em especial do cinema silencioso. Além de crítico e autor de uma vasta bibliografia – que inclui obras como Hollywood in the Twenties (1968), The History of World Cinema (1973) e a biografia oficial de Charlie Chaplin, Chaplin: His Life and Art (publicada originalmente em 1985) –, Robinson também desempenha papel ativo na Giornate del Cinema Muto (ou Jornada do Cinema Silencioso de Pordenone), um evento anual que ocorre em outubro, na cidadezinha de Pordenone, ao norte da Itália. Ao longo da entrevista, que se deu na última Giornate, Robinson discorre extensivamente sobre o objeto fílmico, desde a materialidade da película aos sentidos históricos atrelados às obras, destacando a fundamental importância da pesquisa arquivística, catalogação, preservação, restauração e difusão da obra audiovisual produzida durante a voga do cinema silencioso.
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Na aurora do século XX, o Circo Spinelli faz encenar a “pantomima histórica” Os Guaranis, de Benjamin de Oliveira, baseada em duas versões de O Guarany, ambas obras símbolos do patriotismo brasileiro: o romance histórico de José de... more
Na aurora do século XX, o Circo Spinelli faz encenar a “pantomima histórica” Os Guaranis, de Benjamin de Oliveira, baseada em duas versões de O Guarany, ambas obras símbolos do patriotismo brasileiro: o romance histórico de José de Alencar (1857) e a ópera de Carlos Gomes (1870). O sucesso da pantomima do clown negro Benjamin, também protagonista da obra, a faz migrar do palco circense à tela do cinema, aumentando-se a orquestra do Cinema-Palace nas ocasiões de exibição da fita. Este artigo reflete sobre os sentidos construídos pela adaptação de Benjamin ao palco do circo-teatro e à tela, colocando em primeiro plano os deslocamentos operados pela produção cultural em tempos de primeiro cinema.
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O artigo propõe uma análise de “Pathé-Baby” (1926), do escritor modernista paulistano António de Alcântara Machado, no que toca ao diálogo estabelecido pela obra com a tradição literária – sobretudo no que diz respeito à subversão do tema... more
O artigo propõe uma análise de “Pathé-Baby” (1926), do escritor modernista paulistano António de Alcântara Machado, no que toca ao diálogo estabelecido pela obra com a tradição literária – sobretudo no que diz respeito à subversão do tema e da forma do longevo gênero “Literatura de Viagem”. Para tanto, investiga os ecos da Exposition Internationale des Arts Décoratifs et Industriels Modernes (Paris, 1925) na prosa do autor. A câmera portátil que dá título à obra define o palmilhar cortante do escritor pelas milenares cidades europeias, acabando por balizar as coordenadas da nova literatura brasileira.
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A presença da metalinguagem no cinema é contemporânea à invenção do dispositivo fílmico. O cinema silencioso mostrou-se em funcionamento prodigamente, ao redor do globo, com objetivos tão vastos quanto contraditórios: historiar sobre si;... more
A presença da metalinguagem no cinema é contemporânea à invenção do dispositivo fílmico. O cinema silencioso mostrou-se em funcionamento prodigamente, ao redor do globo, com objetivos tão vastos quanto contraditórios: historiar sobre si; convidar o público, por meio da explicitação da descontinuidade inerente à imagem cinematográfica, à imersão na diegese fílmica; acenar para os paradoxos contidos na imagem, questionando a sua pretensa “objetividade”. Este artigo procura, a partir de uma perspectiva interdisciplinar, refletir sobre os sentidos da metalinguagem na produção cinematográfica de 1896-1914.
Research Interests: Silent Film, Cinema and Other Arts, Cinema and History, Animation industry, history and development. Early history of Malaysian documentary filmmaking. Early Malaysian cinema and developments. Traditional Malaysian performing arts. Documenting the traditional Malay house through drawings., Cinema silencioso, and Cinema e outras artes
Resumo: O artigo debruça-se sobre "Kinetoscópio Literário" , série cronística que a poetiza Elvira Gama escreveu no Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) sob o pseudônimo de "Edisonina", entre dezembro de 1894 e junho de 1895. Gama já... more
Resumo: O artigo debruça-se sobre "Kinetoscópio Literário" , série cronística que a poetiza Elvira Gama escreveu no Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) sob o pseudônimo de "Edisonina", entre dezembro de 1894 e junho de 1895. Gama já colaborara noutras duas folhas da capital, redigindo crônicas esportivas em forma de bem humoradas correspondências enviadas às redações por " Sinhá Miquelina " , habitante do arrabalde. A verve acompanha a escritora também nesta empreitada, uma curiosa crônica humorística na qual as tão recentes imagens cinematográficas (ou melhor, "kinetoscópicas") se fazem verbo – a série nasceu algumas semanas depois da chegada do invento de Edison à capital brasileira.
Abstract:. This article aims to analyze the "Kinetoscópio Literário" , a series of short texts written by the Brazilian poet Elvira Gama and published in the Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) under the pseudonym of "Edisonina" (from December/1894 until June/1895). Gama had already collaborated with two other carioca's newspapers, where she wrote a very personal sportive chronicle: in the form of humorous letters sent to the papers by "Sinhá Miquelina" , a suburban lady. "Kinetoscópio" is also a humorous series, with the difference that it essays to turn the "kinetoscopic" images into words – the series is born few weeks after the Edison's kinetoscope arrives in Rio.
Abstract:. This article aims to analyze the "Kinetoscópio Literário" , a series of short texts written by the Brazilian poet Elvira Gama and published in the Jornal do Brasil (Rio de Janeiro) under the pseudonym of "Edisonina" (from December/1894 until June/1895). Gama had already collaborated with two other carioca's newspapers, where she wrote a very personal sportive chronicle: in the form of humorous letters sent to the papers by "Sinhá Miquelina" , a suburban lady. "Kinetoscópio" is also a humorous series, with the difference that it essays to turn the "kinetoscopic" images into words – the series is born few weeks after the Edison's kinetoscope arrives in Rio.
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This paper won the Premio FriulAdria-Collegium in Pordenone’s Giornate del Cinema Muto in 2016. For more information please see < https://www.youtube.com/watch?v=vFMYLAg4XdI >.
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O ensaio trata do “cineromance” Os Miseráveis (Les Misérables, Henri Fescourt, 1925-1926), adaptação cinematográfica da obra-prima de Victor Hugo. Rodada originalmente com o objetivo de ser exibida de maneira seriada, na Giornate del... more
O ensaio trata do “cineromance” Os Miseráveis (Les Misérables, Henri Fescourt, 1925-1926), adaptação cinematográfica da obra-prima de Victor Hugo. Rodada originalmente com o objetivo de ser exibida de maneira seriada, na Giornate del Cinema Muto (de Pordenone) de 2015 a obra de 397 minutos foi seccionada em duas partes. Enceta-se aqui um olhar ao objeto que considera quanto ele reflete a nossa imaginação melodramática”. Ainda no âmbito do Melodrama, procura-se demonstrar que a catarse promovida pelo gênero ainda é eficaz hoje. Ademais, busca-se refletir sobre como as diferentes formas de veiculação de uma obra podem alterar os seus sentidos.
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Resumo: O cinema silencioso recorreu ao som desde o princípio. Porém, malgrado a relevância da conexão dessas duas esferas, apenas recentemente estudiosos estrangeiros se debruçaram sobre os usos que o cinema silencioso fez do som. No... more
Resumo: O cinema silencioso recorreu ao som desde o princípio. Porém, malgrado a relevância da conexão dessas duas esferas, apenas recentemente estudiosos estrangeiros se debruçaram sobre os usos que o cinema silencioso fez do som. No Brasil, pesquisas neste âmbito ainda tateiam. Este artigo pretende recuperar os usos que o cinema silencioso fez do som em território nacional, das primeiras experiências com o kinetoscópio (em fins de 1894) até o início de 1920, momento da estabilização do lugar da música no espetáculo cinematográfico. Partindo de uma perspectiva transdisciplinar, pretende-se demonstrar que a cena cinematográfica desse período integrava um contexto de circularidade cultural: apropriava-se de canções populares e eruditas queridas do público e, ao costurá-las aos filmes silenciosos, os impregnava dos sentidos já construídos – elaborando, por conseguinte, sentidos outros, aos quais se misturavam as sombras moventes dos artistas das telas à polifonia social. Palavras-Chave: cinema silencioso; história do cinema brasileiro; som e cinema.
Abstract: Silent movies and the sound in Brazil (1894-1920)-The silent cinema has recurred to sound from its beginnings. Despite the importance of the connection between these two spheres, only recently foreign scholars began to study the uses the cinema made of sound. Here in Brazil, researches of this field are only beginning. This essay aims to recuperate the uses the silent movies made of sound in national ground, from the first experiences with the kinetoscope (in the ends of 1894) to the beginning of the 1920s, when the place of the music in the cinematographic spectacle was stabilized. From a transdisciplinary perspective, we intend to prove that the cinematographic scene from this period integrated a context of cultural circulation: when popular music and songs were used as accompaniment for the silent films; impregnating the cinematograph with former meanings, as well as constructing new meanings – ones that mixed the moving shadows of the artists to the social polyphony.
Abstract: Silent movies and the sound in Brazil (1894-1920)-The silent cinema has recurred to sound from its beginnings. Despite the importance of the connection between these two spheres, only recently foreign scholars began to study the uses the cinema made of sound. Here in Brazil, researches of this field are only beginning. This essay aims to recuperate the uses the silent movies made of sound in national ground, from the first experiences with the kinetoscope (in the ends of 1894) to the beginning of the 1920s, when the place of the music in the cinematographic spectacle was stabilized. From a transdisciplinary perspective, we intend to prove that the cinematographic scene from this period integrated a context of cultural circulation: when popular music and songs were used as accompaniment for the silent films; impregnating the cinematograph with former meanings, as well as constructing new meanings – ones that mixed the moving shadows of the artists to the social polyphony.
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Resumo: Este artigo busca investigar o papel que desempenhou o cinema dos primeiros tempos na construção de um imaginário de um Rio de Janeiro cosmopolita, alinhado às nações da Europa que lhe serviam de modelo, ao mesmo tempo em que se... more
Resumo: Este artigo busca investigar o papel que desempenhou o cinema dos primeiros tempos na construção de um imaginário de um Rio de Janeiro cosmopolita, alinhado às nações da Europa que lhe serviam de modelo, ao mesmo tempo em que se destacava delas por suas vicejantes belezas naturais. Os objetos de estudo serão alguns filmes de ficção e documentários produzidos na cidade entre os anos de 1900-1930, bem como crônicas publicadas por escritores brasileiros em jornais e revistas do período. A análise estabelecerá como contraponto a imagem da cidade que é esculpida na fotografia de Augusto Malta e especialmente na produção cronística de João do Rio dos anos de 1900. O percurso pelo corpus desembocará no filme de Hollywood Flying Down to Rio (Voando para o Rio, 1933), ratificador do imaginário estabelecido pelos filmes nacionais analisados.
Abstract: This article aims to investigate the role played by the movies produced in the first three decades of the 20th century in the construction of an imaginary of a Rio de Janeiro as cosmopolitan as the European cities, which have influenced the design of its streets and its way of life. Fictional movies and documentaries from the years 1900 to 1930 will serve as objects of this present study, as well as short texts written by Brazilian writers from newspapers and magazines published in Rio de Janeiro during this period of time. The analysis will establish as a counterpoint to the way the image of the city is sculptured in the photography of Augusto Malta and especially in the chronicles of João do Rio written in the years 1900. The study of the corpus will reach its end in Hollywood’s Flying Down to Rio (1933), which subscribes to the imagination constructed along the first three decades of the century.
Abstract: This article aims to investigate the role played by the movies produced in the first three decades of the 20th century in the construction of an imaginary of a Rio de Janeiro as cosmopolitan as the European cities, which have influenced the design of its streets and its way of life. Fictional movies and documentaries from the years 1900 to 1930 will serve as objects of this present study, as well as short texts written by Brazilian writers from newspapers and magazines published in Rio de Janeiro during this period of time. The analysis will establish as a counterpoint to the way the image of the city is sculptured in the photography of Augusto Malta and especially in the chronicles of João do Rio written in the years 1900. The study of the corpus will reach its end in Hollywood’s Flying Down to Rio (1933), which subscribes to the imagination constructed along the first three decades of the century.
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Resumo: A presença do cinema em São Paulo, de fins do XIX a 1930, confunde-se – a exemplo do que aconteceu no Rio de Janeiro – com o período de ascensão da cidade de recanto provinciano a grande metrópole. A relação entre cinema e cidade... more
Resumo: A presença do cinema em São Paulo, de fins do XIX a 1930, confunde-se – a exemplo do que aconteceu no Rio de Janeiro – com o período de ascensão da cidade de recanto provinciano a grande metrópole. A relação entre cinema e cidade está muito bem apanhada neste livro de José Inacio de Melo Souza, percurso original pelas vias da capital paulistana, do “Triângulo” aos arrabaldes, tendo como mapa os projetos arquitetônicos relativos à construção de salas de cinema. Neste contexto, o projeto de lei de fevereiro de 1916, que regulamenta a construção desses espaços, surge como ponto de virada, prenunciando a transformação da cidade na “Pauliceia desvairada” que seria decantada anos depois pelos Modernistas.
Abstract: The presence of the cinema in São Paulo, from the late nineteenth century to 1930, is mixed up – as it happens to Rio de Janeiro – with the city’s rise from a provincial corner to a large metropolis. The relationship between cinema and city is very well captured in this book by José Inacio de Melo Souza, an original route through the streets of the capital, from the “Triangle” to the suburbs, which takes as a map the architectural projects related to the construction of the movie theaters. In this context, the law passed in February 1916, which regulates the construction of these spaces, emerges as a turning point, foretelling the transformation of the city into the “crazy Pauliceia” that would be decanted years later by the Modernists.
Abstract: The presence of the cinema in São Paulo, from the late nineteenth century to 1930, is mixed up – as it happens to Rio de Janeiro – with the city’s rise from a provincial corner to a large metropolis. The relationship between cinema and city is very well captured in this book by José Inacio de Melo Souza, an original route through the streets of the capital, from the “Triangle” to the suburbs, which takes as a map the architectural projects related to the construction of the movie theaters. In this context, the law passed in February 1916, which regulates the construction of these spaces, emerges as a turning point, foretelling the transformation of the city into the “crazy Pauliceia” that would be decanted years later by the Modernists.
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Resumo: Alberto Cavalcanti foi um dos artistas de vanguarda de maior projeção na Paris dos anos de 1920. Depois de quatro anos trabalhando como cenógrafo e diretor assistente em produções ficcionais cinematográficas francesas, dirigiu... more
Resumo: Alberto Cavalcanti foi um dos artistas de vanguarda de maior projeção na Paris dos anos de 1920. Depois de quatro anos trabalhando como cenógrafo e diretor assistente em produções ficcionais cinematográficas francesas, dirigiu aquela que é tida por muitos teóricos do assunto como sua obra-prima: “Rien que les heures” (1926). O “documentário romanesco”, como o diretor o classifica, dialoga estreitamente com seus textos teóricos sobre o “medium” escritos dos anos 1920 a 1950 e posteriormente inseridos no volume “Filme e Realidade” (1953). Neste artigo, proponho-me a discutir tal diálogo, bem como a pensar no lugar que o filme ocupa no interior da produção cinematográfica de vanguarda.
The poetry of the modern city: a reading of “Rien que les Heures” (1926) Abstract Alberto Cavalcanti was one of the most influential “avant-garde” artists in the Paris of the 1920s. After four years working as a set designer and an assistant director in French cinematographic fiction, he directed what is considered by many movie theorists his masterpiece: “Rien que les heures” (1926). The “fictional documentary”, as the director classifies it, is strictly related to his theory about the “medium” written from 1920 to 1950 and latter published in the book “Filme e Realidade” (1953). In this article, I intent to discuss this connection, as well as to think about the place this motion picture occupies in the “avantgarde” cinema.
The poetry of the modern city: a reading of “Rien que les Heures” (1926) Abstract Alberto Cavalcanti was one of the most influential “avant-garde” artists in the Paris of the 1920s. After four years working as a set designer and an assistant director in French cinematographic fiction, he directed what is considered by many movie theorists his masterpiece: “Rien que les heures” (1926). The “fictional documentary”, as the director classifies it, is strictly related to his theory about the “medium” written from 1920 to 1950 and latter published in the book “Filme e Realidade” (1953). In this article, I intent to discuss this connection, as well as to think about the place this motion picture occupies in the “avantgarde” cinema.
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Resumo: O artigo mapeia a circulação brasileira das séries cinematográficas e folhetinescas norte-americanas The Exploits of Elaine, The New Exploits of Elaine e The Romance of Elaine (1914) – denominadas, no Brasil, Os Mistérios de Nova... more
Resumo: O artigo mapeia a circulação brasileira das séries cinematográficas e folhetinescas norte-americanas The Exploits of Elaine, The New Exploits of Elaine e The Romance of Elaine (1914) – denominadas, no Brasil, Os Mistérios de Nova York –, bem como analisa suas congêneres nacionais. Seu sucesso em território nacional determinou a produção de dois Mistérios do Rio de Janeiro: a série cinematográfica (por Coelho Netto em 1917) e a série cronística (por Benjamin Costallat em 1924). O trabalho pensa a relação entre cinema e jornal nos anos de 1910-20 e a influência do cinema na mise-en-scène do gênero folhetinesco.
The mysteries of the modern city: thoughts on The Exploits of Elaine (1914) and its Brazilians congeners
Abstract: This article draws a map of the Brazilian circulation of the North American feuilletons and moving picture series The Exploits of Elaine, The New Exploits of Elaine e The Romance of Elaine (1914) – named The Mysteries of New York in Brazil –, as well as analyzes their national congeners. The success achieved by this piece of work in national ground determined the writing of two Mysteries of Rio de Janeiro: a movie series (by Coelho Netto in 1917) and the journalistic chronicles (by Benjamin Costallat in 1924). This article deals with the relations between the cinema and the newspaper in the years of 1910-20 and the influence that the cinema had in the mise en scène of the newspaper chronicles.
The mysteries of the modern city: thoughts on The Exploits of Elaine (1914) and its Brazilians congeners
Abstract: This article draws a map of the Brazilian circulation of the North American feuilletons and moving picture series The Exploits of Elaine, The New Exploits of Elaine e The Romance of Elaine (1914) – named The Mysteries of New York in Brazil –, as well as analyzes their national congeners. The success achieved by this piece of work in national ground determined the writing of two Mysteries of Rio de Janeiro: a movie series (by Coelho Netto in 1917) and the journalistic chronicles (by Benjamin Costallat in 1924). This article deals with the relations between the cinema and the newspaper in the years of 1910-20 and the influence that the cinema had in the mise en scène of the newspaper chronicles.
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Tradução de uma peça importante para a compreensão das relações que os homens de teatro estabeleceram com o cinema: o artigo “Théâtre et Film”, escrito pelo eminente dramaturgo francês Jean Giraudoux à época do lançamento de “La Duchesse... more
Tradução de uma peça importante para a compreensão das relações que os homens de teatro estabeleceram com o cinema: o artigo “Théâtre et Film”, escrito pelo eminente dramaturgo francês Jean Giraudoux à época do lançamento de “La Duchesse de Langeais” (1942) – sua adaptação cinematográfica do romance homônimo de Honoré de Balzac e sua primeira contribuição ao cinematógrafo. O artigo foi primeiro publicado a 11 de abril de 1942, na revista Comoedia. Quatro anos mais tarde, Marcel Lapierre retoma-o e o torna parte integrante de sua Anthologie du Cinéma, obra que subintitula “rétrospective de l’art muet qui devint parlant”. A tradução foi realizada com base nesta última fonte.
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Resumo: Quando a atriz sueca Greta Garbo ingressou no cinema norte-americano, a naturalidade de seu desempenho arrebatou o país (e, por extensão, o Brasil, grande consumidor das películas de Hollywood). O maior contraponto a Garbo é,... more
Resumo: Quando a atriz sueca Greta Garbo ingressou no cinema norte-americano, a naturalidade de seu desempenho arrebatou o país (e, por extensão, o Brasil, grande consumidor das películas de Hollywood). O maior contraponto a Garbo é, talvez, a atriz russa Alla Nazimova, a qual, ao tentar nas telas um desempenho fiel do drama simbolista Salome, de Oscar Wilde, construiu uma obra que pouco atraiu o público. Este artigo tratará da recepção brasileira de ambos os filmes. Abstract: When Greta Garbo debuted in the North American cinema, the naturality of her acting enchanted the country (as well as it enchanted Brazil, one of the major consumers of the Hollywood pictures). Garbo's biggest counterpoint is perhaps the Russian Alla Nazimova, whose faithful depiction to the silver screen of the symbolist drama Salome (written by Oscar Wilde) wasn't well accepted by the public. This article is dedicated to the Brazilian reviews of both pictures.
The femme fatales of Alla Nazimova and Greta Garbo: acting and reality in the Brazilian reviews of two pictures
Abstract: When Greta Garbo debuted in the North American cinema, the naturality of her acting enchanted the country (as well as it enchanted Brazil, one of the major consumers of the Hollywood pictures). Garbo’s biggest counterpoint is perhaps the Russian Alla Nazimova, whose faithful depiction to the silver screen of the symbolist drama Salome (written by Oscar Wilde) wasn’t well accepted by the public. This article is dedicated to the Brazilian reviews of both pictures.
The femme fatales of Alla Nazimova and Greta Garbo: acting and reality in the Brazilian reviews of two pictures
Abstract: When Greta Garbo debuted in the North American cinema, the naturality of her acting enchanted the country (as well as it enchanted Brazil, one of the major consumers of the Hollywood pictures). Garbo’s biggest counterpoint is perhaps the Russian Alla Nazimova, whose faithful depiction to the silver screen of the symbolist drama Salome (written by Oscar Wilde) wasn’t well accepted by the public. This article is dedicated to the Brazilian reviews of both pictures.
Research Interests:
No início dos anos 20, alguns rostos iluminavam as telas de todo o mundo. Theda Bara, Mary Pickford, Gloria Swanson, Wallace Reid arrastavam aos cinemas pessoas das mais diversas idades e classes sociais, ansiosas por ficarem perto de... more
No início dos anos 20, alguns rostos iluminavam as telas de todo o mundo. Theda Bara, Mary Pickford, Gloria Swanson, Wallace Reid arrastavam aos cinemas pessoas das mais diversas idades e classes sociais, ansiosas por ficarem perto de seus ídolos. A sedução exercida pelo cinema não passou desapercebida por cronistas do período. Um deles é Jack, que assinava aos sábados a série cronística “A arte do silêncio” na revista carioca ilustrada “Careta”. Os folhetins de Jack esboçam um olhar num só tempo admirado, surpreso e crítico ao écran. Esta comunicação se preocupa em analisar a série.
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O desenvolvimento técnico de fins do XIX alterou o estatuto da produção artística. A imprensa absorveu mais literatos, mas os obrigou a satisfazer o gosto de um público que se acostumava a estímulos visuais. Percebe-se a tensão nas... more
O desenvolvimento técnico de fins do XIX alterou o estatuto da produção artística. A imprensa absorveu mais literatos, mas os obrigou a satisfazer o gosto de um público que se acostumava a estímulos visuais. Percebe-se a tensão nas crônicas sobre o cinematógrafo publicadas por Olavo Bilac, Arthur Azevedo e Figueiredo Coimbra. Nelas, esboça-se o temor de que produtos do medium ocupem o lugar da literatura: Bilac afirma que o registro ad eternum dos gestos da mulher amada tornaria ridículo o que a arte fazia belo; Azevedo, teatrólogo popular, mostra admirar o invento, mas relativiza sua importância. Coimbra, seu colega de ofício, marca o contraponto ao ensaiar uma reflexão sobre a técnica responsável por gerar as imagens que seduziam o público. Busco compreender como o invento motivou nos literatos a reflexão sobre o lugar que ocupavam na sociedade. Palavras-chave: Olavo Bilac, Arthur Azevedo, Figueiredo Coimbra, crônica, cinematógrafo. 1 O entretenimento no Rio de Janeiro de fins do XIX Quando, em dezembro de 1894, o kinetoscópio aportou pela primeira vez na capital federal, enfrentou a concorrência de vários divertimentos. No "Belódromo Nacional", as corridas de bicicleta poderiam ser apreciadas gratuitamente, seu ingresso dando direito ao acesso à arquibancada geral; nos Frontões, amadores e profissionais praticavam o boliche, outro esporte igualmente popular entre as mais diversas camadas da população, tanto que o anúncio do "Frontão Boliche Nacional", garantia às "exmas. famílias" lugares nos camarotes (FRONTÃO..., 7 dez. 1894. p. 4); um panorama do Rio de Janeiro (pintura que oferecia uma vista de 360 graus da cidade) não cobrava ingresso das crianças acompanhadas pelos pais (Panorama..., 11-12 dez. 1894. p. 4). Àqueles que preferiam o teatro, os jornais da capital sempre anunciavam um conjunto de espetáculos que cobria uma variedade de gêneros apreciados pelo público: óperas, melodramas, comédias-musicadas e espetáculos de variedades (com mágicos, malabaristas e animais amestrados). Destacava-se o grupo que melhor conseguisse surpreender o espectador, daí a substituição quase que semanal das peças em cena, a inclusão de novos elementos nos espetáculos já conhecidos e os altos investimentos na construção de cenários grandiosos, visando a colocar no palco as fantasias que saíam da imaginação dos autores. Assim, texto e efeitos visuais caminhavam lado a lado, encenando de forma privilegiada o novo lugar que cabia à arte naquele final de século. Para analisarmos a chegada das "imagens em movimento" no Brasil, dialogaremos com as reflexões que Vanessa Schwartz tece sobre o contexto francês (SCHWARTZ, 2004). Embora nosso país se distancie da Europa em muitos aspectos-o acentuado analfabetismo da população (cerca de 82,5% em 1890, segundo FERRARO, 2002. p. 33) e as epidemias que a dizimavam, por exemplo-não podemos negar a intensa influência que sofremos das potências do Norte, especialmente da França, de quem historicamente importamos bens de consumo e modos de vida. Schwartz defende que o público cinematográfico formou-se antes da existência do aparato técnico que tornou possível o cinema. Ela o insere no conjunto de diversões que, no crepúsculo do século XIX, originaram uma "flânerie para as massas"-movimento que relaciona diretamente à imprensa de largas tiragens, a qual funcionava como um "resumo impresso do olho errante do flâneur" (SCHWARTZ, 2004, p.
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Resumo: Em fins de 1897, encena-se Amor ao pelo, paródia do drama de Coelho Netto Pelo Amor!. Por detrás da alcunha de *** que a assina, mal se esconde Arthur Azevedo, teatrólogo cuja preferência pelo teatro popular Netto criticara... more
Resumo: Em fins de 1897, encena-se Amor ao pelo, paródia do drama de Coelho Netto Pelo Amor!. Por detrás da alcunha de *** que a assina, mal se esconde Arthur Azevedo, teatrólogo cuja preferência pelo teatro popular Netto criticara sistematicamente, enquanto anunciava aquela sua produção. Este artigo analisa a paródia desde o debate que ela instaura com seu tempo, sobretudo no que toca à relação que estabelece com o teatro “sério”.
Abstract: Amor ao pelo was staged for the first time in Rio de Janeiro in 1897. Although this parody of Coelho Netto’s drama Pelo Amor! was signed by ***, it was largely known that its author was Arthur Azevedo, the popular playwriter whom Netto had systematically criticized while Pelo Amor! was announced. This article analyses the relations the parody establishes with its time, specially the one regarding what is called the “serious” theater.
Abstract: Amor ao pelo was staged for the first time in Rio de Janeiro in 1897. Although this parody of Coelho Netto’s drama Pelo Amor! was signed by ***, it was largely known that its author was Arthur Azevedo, the popular playwriter whom Netto had systematically criticized while Pelo Amor! was announced. This article analyses the relations the parody establishes with its time, specially the one regarding what is called the “serious” theater.
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Resumo: O desenvolvimento técnico de fins do XIX alterou o estatuto da produção artística. A imprensa absorveu mais literatos, mas os obrigou a satisfazer o gosto de um público que se acostumava a estímulos visuais. Percebe-se a tensão... more
Resumo: O desenvolvimento técnico de fins do XIX alterou o estatuto da produção artística. A imprensa absorveu mais literatos, mas os obrigou a satisfazer o gosto de um público que se acostumava a estímulos visuais. Percebe-se a tensão nas crônicas sobre o cinematógrafo publicadas por Olavo Bilac, Arthur Azevedo e Figueiredo Coimbra. Nelas, esboça-se o temor de que produtos do medium ocupem o lugar da literatura: Bilac afirma que o registro ad eternum dos gestos da mulher amada tornaria ridículo o que a arte fazia belo; Azevedo, teatrólogo popular, mostra admirar o invento, mas relativiza sua importância. Coimbra, seu colega de ofício, marca o contraponto ao ensaiar uma reflexão sobre a técnica responsável por gerar as imagens que seduziam o público. Busco compreender como o invento motivou nos literatos a reflexão sobre o lugar que ocupavam na sociedade.
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Federico Fellini acaba de ganhar a mais cabal das cinebiografias. Orquestrada pelo amigo Ettore Scola, "Que estranho chamar-se Federico" é um memento entusiástico do percurso desse grande artista, pelas estradas da vida e da arte.... more
Federico Fellini acaba de ganhar a mais cabal das cinebiografias. Orquestrada pelo amigo Ettore Scola, "Que estranho chamar-se Federico" é um memento entusiástico do percurso desse grande artista, pelas estradas da vida e da arte. Crítica de "Che strano chiamarsi Federico" (2013). Dirigido por Ettore Scola. Roteiro de Ettore, Paola e Silvia Scola. Com Federico Fellini, Ettore Scola, Tommaso e Giacomo Lazotti, entre outros.
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Resenha de PESSOA, Fernando. Argumentos para filmes. Edição, introdução e tradução Patricio Ferrari e Claudia J. Fischer; Posfácio Fernando Guerreiro. Lisboa: Ática (Babel), 2011.
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Como nenhuma outra arte, o cinema foi, logo em seus primeiros tempos, mapeado criticamente. Acessar esses textos é, hoje, tarefa árdua até mesmo para aqueles que desenvolvem pesquisas sobre o cinema dos primeiros tempos. Segundo os... more
Como nenhuma outra arte, o cinema foi, logo em seus primeiros tempos, mapeado criticamente. Acessar esses textos é, hoje, tarefa árdua até mesmo para aqueles que desenvolvem pesquisas sobre o cinema dos primeiros tempos. Segundo os organizadores do excelente volume sobre o assunto “Le cinéma: Naissance d’un art. Premiers écrits (1895-1920)”, aqui resenhado, Daniel Banda e José Moure, os textos que o enfeixam estavam “esquecidos, dispersados, ignorados ou quase que perdidos, certamente negligenciados, possivelmente postos de lado, bloqueados ou escamoteados pela doxa da época”
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No início do século XIX, surge na capital francesa uma nova estética teatral, centrada na encenação: a deslocar a percepção do "poético" do espaço da linguagem para o âmbito da cena; a falar diretamente para os populares que ocupavam as... more
No início do século XIX, surge na capital francesa uma nova estética teatral, centrada na encenação: a deslocar a percepção do "poético" do espaço da linguagem para o âmbito da cena; a falar diretamente para os populares que ocupavam as plateias, reproduzindo-os também na ribalta, em obras que pela primeira vez os tomavam por tema central. Gênero ilustrativo dessa vertente artística foi o melodrama, ao qual se dedica Jean-Marie Thomasseau na obra aqui resenhada, "Mélodramatiques", volume que compila os artigos mais recentes deste que é, quiçá, o principal estudioso do assunto no mundo. Thomasseau procura atenuar o caráter aparentemente fragmentário desta sua obra a partir do Prólogo, o qual, ao explicitar o modo como foram estruturados os artigos em capítulos, faz emergir as linhas de força que atravessam todo o seu trabalho. Nele, o autor reporta-se a um antigo mosaico representando Virgílio sentado, acompanhado, de um lado e de outro, pelas musas da História e da Tragédia – Clio e Melpomène. A obra é simbólica, afirma o estudioso: caberia à arte abarcar também o domínio da história. Sobretudo quando se trata da história do teatro, quando os olhos de Clio e Melpomène forçosamente se cruzam. Não obstante, Thomasseau afirma que o teatro foi desde sempre submetido a análises atentas em especial ao valor literário de seus objetos, desdenhosas de seu aspecto cênico.
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O cinema da Dinamarca oferece uma recente leitura do western – o gênero que mais cabalmente define o cinema norte-americano, de acordo com André Bazin. Leitura que só pode ser estilizada, sobretudo considerando-se o diretor do longa... more
O cinema da Dinamarca oferece uma recente leitura do western – o gênero que mais cabalmente define o cinema norte-americano, de acordo com André Bazin. Leitura que só pode ser estilizada, sobretudo considerando-se o diretor do longa metragem: o dinamarquês Kristian Levring, envolvido, no passado, com o movimento “Dogma 95” – do qual também fez parte o cineasta Lars Von Trier, seu conterrâneo. A obra em questão, “The Salvation” – estreada no ano passado em Cannes, fora da competição, ainda sem data de lançamento no Brasil –, lê o gênero a contrapelo das obras-fontes, ainda que em razoável medida beba da estrutura delas.
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Coelho Netto teve grande importância no cenário intelectual brasileiro de fins do século XIX e começo do século XX, período em que publicou aproximadamente 100 volumes. Parte importante desse trabalho foi dedicada ao teatro, pois o... more
Coelho Netto teve grande importância no cenário intelectual brasileiro de fins do século XIX e começo do século XX, período em que publicou aproximadamente 100 volumes. Parte importante desse trabalho foi dedicada ao teatro, pois o literato acreditava caber ao palco a condução do país ao mesmo progresso intelectual vivido pela Europa. Tenho por objetivo analisar texto, encenação e crítica de “Pelo Amor!”, primeira produção teatral de Coelho Netto posta sob as luzes da ribalta. Essa peça foi escrita em 1897, momento no qual se considerava que o teatro vivia uma crise, pois o público preferia as produções que davam ênfase à música popular e a aspectos cenográficos em detrimento do texto. A novidade não demora a mobilizar os jornalistas que, ao dialogarem com a longa defesa que Coelho Netto faz de sua peça na imprensa, ajudam a dar cor a um momento que há muito se esvaeceu.
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Publicado na Revista Travessias (e-ISSN 1982-5935), Vol. 3, No 2 (2009) RESUMO: O escritor brasileiro Henrique Maximiniano Coelho Netto, hoje pouco conhecido do grande público, foi uma figura de extrema importância no panorama literário... more
Publicado na Revista Travessias (e-ISSN 1982-5935), Vol. 3, No 2 (2009)
RESUMO: O escritor brasileiro Henrique Maximiniano Coelho Netto, hoje pouco conhecido do grande público, foi uma figura de extrema importância no panorama literário e social do país a partir do final do regime monárquico e durante a república velha. Ele foi um dos poucos escritores de seu tempo que conseguiu manter-se fiel ao ideal de ―viver das letras‖ – do qual também comungavam nomes como Raul Pompéia e Aluísio Azevedo – pois, muito querido pelo público, teve publicadas mais de uma centena de obras, além de ter mantido, por quase cinco décadas, colunas de crônicas nos jornais mais respeitados de São Paulo, Minas Gerais e especialmente Rio de Janeiro. A leitura de seus textos, escritos ao longo de tantos anos, permite-nos compreender a tônica seu trabalho: a missão educativa. Ela que se deixa entrever nas críticas à escravidão e à monarquia, que tanto afastavam o país do progresso vivido pela europa; na importância atribuída à literatura, responsável por ―eternizar‖ a língua de um país; e nas reservas que faz ao cinema, que supunha corromper costumes. Um percurso pela obra do autor torna-se, assim, fundamental àqueles que desejam refletir sobre o fazer literário nas últimas décadas do século XIX e primeiras três décadas do XX. ABSTRACT: Although the Brazilian writer Henrique Maximiniano Coelho Netto isn't very well know by the public nowadays, he was a very important name in the national literary and social fields from the end of the monarchy until at least 1930. He was one of the few writers of his time that could manage to live exclusively from his writing – although writers such as Raul Pompéia and Aluísio Azevedo tried, they were never able to earn their livings by this mean – because he was very admired by the public, and so he could publish more than a hundred books, and also wrote literature in the most respectable newspapers of the southeastern part of the country for nearly fifty years. A lengthy reading of his work allow us discover the great importance he put on the education of the people. We see it in critic way he speaks of slavery and monarchy, that kept our country far from the ―progress‖ he saw in Europe; in the importance he sees in literature, that is responsible to make the language of a country ―eternal‖; and in the reservations he makes to movies, because he believed they could corrupt people's behaviors. Therefore, a reading in the author's writing is fundamental to the ones who want to think about the production of literature in the last decades of the nineteenth century and in the first three decades of the twentieth.
ABSTRACT: Although the Brazilian writer Henrique Maximiniano Coelho Netto isn’t very well know by the public nowadays, he was a very important name in the national literary and social fields from the end of the monarchy until at least 1930. He was one of the few writers of his time that could manage to live exclusively from his writing – although writers such as Raul Pompéia and Aluísio Azevedo tried, they were never able to earn their livings by this mean – because he was very admired by the public, and so he could publish more than a hundred books, and also wrote literature in the most respectable newspapers of the southeastern part of the country for nearly fifty years. A lengthy reading of his work allow us discover the great importance he put on the education of the people. We see it in critic way he speaks of slavery and monarchy, that kept our country far from the ―progress‖ he saw in Europe; in the importance he sees in literature, that is responsible to make the language of a country ―eternal‖; and in the reservations he makes to movies, because he believed they could corrupt people’s behaviors. Therefore, a reading in the author’s writing is fundamental to the ones who want to think about the production of literature in the last decades of the nineteenth century and in the first three decades of the twentieth.
RESUMO: O escritor brasileiro Henrique Maximiniano Coelho Netto, hoje pouco conhecido do grande público, foi uma figura de extrema importância no panorama literário e social do país a partir do final do regime monárquico e durante a república velha. Ele foi um dos poucos escritores de seu tempo que conseguiu manter-se fiel ao ideal de ―viver das letras‖ – do qual também comungavam nomes como Raul Pompéia e Aluísio Azevedo – pois, muito querido pelo público, teve publicadas mais de uma centena de obras, além de ter mantido, por quase cinco décadas, colunas de crônicas nos jornais mais respeitados de São Paulo, Minas Gerais e especialmente Rio de Janeiro. A leitura de seus textos, escritos ao longo de tantos anos, permite-nos compreender a tônica seu trabalho: a missão educativa. Ela que se deixa entrever nas críticas à escravidão e à monarquia, que tanto afastavam o país do progresso vivido pela europa; na importância atribuída à literatura, responsável por ―eternizar‖ a língua de um país; e nas reservas que faz ao cinema, que supunha corromper costumes. Um percurso pela obra do autor torna-se, assim, fundamental àqueles que desejam refletir sobre o fazer literário nas últimas décadas do século XIX e primeiras três décadas do XX. ABSTRACT: Although the Brazilian writer Henrique Maximiniano Coelho Netto isn't very well know by the public nowadays, he was a very important name in the national literary and social fields from the end of the monarchy until at least 1930. He was one of the few writers of his time that could manage to live exclusively from his writing – although writers such as Raul Pompéia and Aluísio Azevedo tried, they were never able to earn their livings by this mean – because he was very admired by the public, and so he could publish more than a hundred books, and also wrote literature in the most respectable newspapers of the southeastern part of the country for nearly fifty years. A lengthy reading of his work allow us discover the great importance he put on the education of the people. We see it in critic way he speaks of slavery and monarchy, that kept our country far from the ―progress‖ he saw in Europe; in the importance he sees in literature, that is responsible to make the language of a country ―eternal‖; and in the reservations he makes to movies, because he believed they could corrupt people's behaviors. Therefore, a reading in the author's writing is fundamental to the ones who want to think about the production of literature in the last decades of the nineteenth century and in the first three decades of the twentieth.
ABSTRACT: Although the Brazilian writer Henrique Maximiniano Coelho Netto isn’t very well know by the public nowadays, he was a very important name in the national literary and social fields from the end of the monarchy until at least 1930. He was one of the few writers of his time that could manage to live exclusively from his writing – although writers such as Raul Pompéia and Aluísio Azevedo tried, they were never able to earn their livings by this mean – because he was very admired by the public, and so he could publish more than a hundred books, and also wrote literature in the most respectable newspapers of the southeastern part of the country for nearly fifty years. A lengthy reading of his work allow us discover the great importance he put on the education of the people. We see it in critic way he speaks of slavery and monarchy, that kept our country far from the ―progress‖ he saw in Europe; in the importance he sees in literature, that is responsible to make the language of a country ―eternal‖; and in the reservations he makes to movies, because he believed they could corrupt people’s behaviors. Therefore, a reading in the author’s writing is fundamental to the ones who want to think about the production of literature in the last decades of the nineteenth century and in the first three decades of the twentieth.
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RESUMO: Henrique Maximiniano Coelho Netto foi um escritor de grande relevância no cenário cultural brasileiro de fins do século XIX e primeiras décadas do XX. Seu intuito era transformar a pena em arma para o progresso social e cultural... more
RESUMO: Henrique Maximiniano Coelho Netto foi um escritor de grande relevância no cenário cultural brasileiro de fins do século XIX e primeiras décadas do XX. Seu intuito era transformar a pena em arma para o progresso social e cultural do Brasil, portanto, escreveu muito. Concentramo-nos na obra teatral do escritor, especificamente nas peças escritas entre 1897 e 1898, quando ele teve a colaboração de elenco amador para experimentar as novidades teatrais em voga na Europa e, assim, tirar o teatro da " crise " que supunha existir, já que o público preferia as comédias musicadas, nas quais o escritor não enxergava qualidades artísticas.
ABSTRACT: Henrique Maximiniano Coelho Netto was an extremely important writer in the Brazilian cultural scenery in end of the nineteenth century and the beginning of the XX th. He aimed to use his writing as a contribution to Brazil's social and cultural progress, therefore, he wrote a lot. I intend to study his theater plays, specially the ones he wrote between 1897 and 1898, when he had the support of an amateur group to try the European's theatrical ideas and so to solve the " crisis " he believed the theatre was facing, since the public preferred the musical comedies, in which he didn't see artistic qualities.
ABSTRACT: Henrique Maximiniano Coelho Netto was an extremely important writer in the Brazilian cultural scenery in end of the nineteenth century and the beginning of the XX th. He aimed to use his writing as a contribution to Brazil's social and cultural progress, therefore, he wrote a lot. I intend to study his theater plays, specially the ones he wrote between 1897 and 1898, when he had the support of an amateur group to try the European's theatrical ideas and so to solve the " crisis " he believed the theatre was facing, since the public preferred the musical comedies, in which he didn't see artistic qualities.
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Em co-autoria com Alexandre Prudente Piccolo. Contos de norte a sul do Brasil aqui reunidos apresentam variados retratos nacionais dentre os anos 1890 e 1940. As lendas do boto e do lobisomem, os causos do interior mineiro e goiano, as... more
Em co-autoria com Alexandre Prudente Piccolo.
Contos de norte a sul do Brasil aqui reunidos apresentam variados retratos nacionais dentre os anos 1890 e 1940. As lendas do boto e do lobisomem, os causos do interior mineiro e goiano, as lembranças de infância, as surpresas e reviravoltas dos pampas gaúchos, o encanto das novas tecnologias, os perigos da capital carioca, o frenesi urbano, enfim, diferentes histórias compõem um panorama multifacetado, que aguarda o olhar atento do leitor moderno a adentrar o país.
Os autores: Mário de Alencar * Júlia Lopes de Almeida * Afonso Arinos * Machado de Assis * Arthur Azevedo * Lima Barreto * Olavo Bilac * Coelho Netto * Figueiredo Coimbra * Domício da Gama * Simões Lopes Netto * Antônio de Alcântara Machado * Raymundo Magalhães * Urbano Duarte * Raul Pompéia * Hugo de Carvalho Ramos * Garcia Redondo * João do Rio * Inglês de Souza
Disponível para pré-visualização e aquisição em https://www.livrebooks.com.br/livros/retratos-do-brasil-pre-modernista-e-modernista-danielle-crepaldi-carvalho-alexandre-prudente-piccolo-b08ddqaaqbaj/baixar-ebook; https://www.amazon.com.br/Retratos-Brasil-pr%C3%A9-modernista-modernista-Antologia-ebook/dp/B01LFGPXNG/ref=sr_1_fkmrnull_1?keywords=Retratos+do+Brasil+pr%C3%A9-modernista+e+modernista&qid=1558372318&s=gateway&sr=8-1-fkmrnull
Contos de norte a sul do Brasil aqui reunidos apresentam variados retratos nacionais dentre os anos 1890 e 1940. As lendas do boto e do lobisomem, os causos do interior mineiro e goiano, as lembranças de infância, as surpresas e reviravoltas dos pampas gaúchos, o encanto das novas tecnologias, os perigos da capital carioca, o frenesi urbano, enfim, diferentes histórias compõem um panorama multifacetado, que aguarda o olhar atento do leitor moderno a adentrar o país.
Os autores: Mário de Alencar * Júlia Lopes de Almeida * Afonso Arinos * Machado de Assis * Arthur Azevedo * Lima Barreto * Olavo Bilac * Coelho Netto * Figueiredo Coimbra * Domício da Gama * Simões Lopes Netto * Antônio de Alcântara Machado * Raymundo Magalhães * Urbano Duarte * Raul Pompéia * Hugo de Carvalho Ramos * Garcia Redondo * João do Rio * Inglês de Souza
Disponível para pré-visualização e aquisição em https://www.livrebooks.com.br/livros/retratos-do-brasil-pre-modernista-e-modernista-danielle-crepaldi-carvalho-alexandre-prudente-piccolo-b08ddqaaqbaj/baixar-ebook; https://www.amazon.com.br/Retratos-Brasil-pr%C3%A9-modernista-modernista-Antologia-ebook/dp/B01LFGPXNG/ref=sr_1_fkmrnull_1?keywords=Retratos+do+Brasil+pr%C3%A9-modernista+e+modernista&qid=1558372318&s=gateway&sr=8-1-fkmrnull
