- Universidade de São Paulo, Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas, Department Memberadd
RESUMO: Com o objetivo de pensar os processos criativos do poeta Herberto Helder (Funchal, 1930-Cascais, 2015) e do escultor Rui Chafes (Lisboa, 1966), o presente artigo procura apontar de que modo a religiosidade e a violência são... more
RESUMO: Com o objetivo de pensar os processos criativos do poeta Herberto Helder (Funchal, 1930-Cascais, 2015) e do escultor Rui Chafes (Lisboa, 1966), o presente artigo procura apontar de que modo a religiosidade e a violência são reivindicadas como forma de complexificar as relações possíveis entre singularidade e comunidade a partir de um debate sobre a ética na contemporaneidade. ABSTRACT: In order to think about the creative processes of the poet Herberto Helder (Funchal, 1930-Cascais, 2015) and the sculptor Rui Chafes (Lisbon, 1966), this article seeks to point out how religiosity and violence are claimed as a way to complexify the possible relations between singularity and community based on a debate about ethics in contemporary times.
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Resumo Com o objetivo de pensar as implicações entre o comum e o singular em Herberto Helder, proponho uma leitura que faz dialogar as perspectivas de criação respectivamente à Herberto Helder e Fernando Pessoa, com foco na questão... more
Resumo Com o objetivo de pensar as implicações entre o comum e o singular em Herberto Helder, proponho uma leitura que faz dialogar as perspectivas de criação respectivamente à Herberto Helder e Fernando Pessoa, com foco na questão fáustica. Trata-se de sondar aspectos ligados à criação literária, seus limites e potencialidades no que se refere aos questionamentos destinados à questão do (auto)conhecimento em cada um dos autores. Leva-se em conta o imaginário de Fausto na tradição literária em relação ao modernismo (representado por Fernando Pessoa) e à contemporaneidade portuguesa (representada por Herberto Helder). Abstract In order to think about the implications between the common and the singular in Herberto Helder, I propose a reading that puts into dialogue the creation perspectives of Herberto Helder and Fernando Pessoa, focusing on the issue of the Faustian pact. The purpose is investigating aspects related to literary creation, its limits and potentialities with regard to the question of (self) knowledge in each of the authors. Fausto's imaginary is taken into account in the literary tradition in relation to modernism (represented by Fernando Pessoa) and Portuguese contemporaneity (represented by Herberto Helder).
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Resumo: A partir de uma problematização dos limites dos gêneros e subgêneros discursivos, este ensaio levanta algumas questões acerca do estatuto que a noção de representação desempenha em Herberto Helder. Com o objetivo de situar a sua... more
Resumo: A partir de uma problematização dos limites dos gêneros e subgêneros discursivos, este ensaio levanta algumas questões acerca do estatuto que a noção de representação desempenha em Herberto Helder. Com o objetivo de situar a sua posição literária numa discussão contemporânea mais abrangente, que possa sondar as implicações éticas subjacentes a uma não planificação da realidade-em termos pedagógicos-, tomo como mote uma leitura de "Aprender ou Não", crônica jornalística escrita em 1971, postumamente publicada em livro. Abstract: Starting from a problematization of the discursive genres and subgenres limits, this essay raises some questions about the status the notion of representation plays in Herberto Helder. In order to situate his literary position in face to the broadly contemporary discussion, capable of probing the ethical implications underlying a non-homogeneous reality-in pedagogical terms-, I take as a motto a reading of "Aprender ou Não" (which means "To Learn or Not"), a journalistic chronicle written in 1971, posthumously published in book.
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Colóquio Letras, nº196, setembro/dezembro de 2017
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Texto que compõe o volume "Sobre o olhar ciclópico: leituras da obra de Horácio Costa", organizado por Betina Ruiz e Rogério Caetano de Almeida
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A entrevista que se segue foi realizada em outubro de 2013 em dois momentos distintos: primeiramente, enviei por e-mail as questões a Cruzeiro Seixas (que à época estava às vésperas de completar 93 anos), às quais ele respondeu pela mesma... more
A entrevista que se segue foi realizada em outubro de 2013 em dois momentos distintos: primeiramente, enviei por e-mail as questões a Cruzeiro Seixas (que à época estava às vésperas de completar 93 anos), às quais ele respondeu pela mesma via de maneira sucinta, devido a sua dificuldade de visão. Num segundo momento, fiz uma visita a sua residência em Vila Nova de Famalicão, onde gravamos a conversa, de modo que as questões puderam ser mais desenvolvidas. O resultado que aqui se apresenta é, portanto, uma mescla das suas respostas escritas com trechos de maior interesse transcritos a partir desse encontro presencial. Registro aqui a minha gratidão pela hospitalidade e generosidade com que fui recebida, e a imensa admiração pelo trabalho criativo e coerência ética deste grande expoente do surrealismo português. 1. Ao olhar para o surrealismo português, noto com bastante evidência algumas características nacionais-identitárias. A experiência de leitura é muito diversa daquela que temos quando lemos qualquer surrealista francês. Para ser ainda mais central na questão, quando leio seus poemas, o que mais me chama atenção é a recorrência com que o mar se faz presente... Tendo isso em vista, o que você diria sobre as maneiras que o surrealismo português teve de se reapropriar da tradição nacional? CS-Serei eu um caso especial? Foi lento o meu conhecimento em profundidade do Surrealismo Francês. Cesariny e os outros amigos não trabalhavam como eu que, por isso, dispus de pouco tempo para leituras. Eu não sou nem um intelectual, nem um artista, essas duas palavras, as recebo como uma bofetada. Sou um homem entre os homens, nada além. O homem comum deveria ter paixão pelas coisas, e, no entanto, no máximo, tem paixão pelo dinheiro. Em 1950, embarquei como tripulante de um navio cargueiro e aí andei por cerca de 2 anos. O mar já estava, por certo, dentro de mim pelas navegações históricas (as referências todas que carrega um português), de modo que a presença do mar nos meus escritos nunca foi uma atitude pensada, como não o foram outros elementos da minha poesia, que sempre foi feita do próprio acaso, sem premeditação. As pessoas são intuitivas ou não são, de modo que há pessoas fantásticas capazes de absorver determinados elementos do mundo e devolver-nos em forma de criação ou pulsão surrealista; acredito que a condição social apenas em parte é responsável pelo que alguém é capaz de fazer em vida. Ainda quanto ao mar, eu diria que é quotidiano e dele é uma grande parte de nós. 2. Ainda pensando nas peculiaridades do surrealismo em Portugal, surge essa variação intitulada abjeccionismo, tal como teria proposto Pedro Oom, que gerou inclusive a
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USP Resumo Trata-se de pensar a atuação surrealista de Mário Cesariny de Vasconcelos, com especial ênfase para a sua manifestação escrita, a partir do lugar que o corpo ocupa na sua criação. Proponho, portanto, uma leitura do "... more
USP Resumo Trata-se de pensar a atuação surrealista de Mário Cesariny de Vasconcelos, com especial ênfase para a sua manifestação escrita, a partir do lugar que o corpo ocupa na sua criação. Proponho, portanto, uma leitura do " corpo-escrito " tal como foi modulado, composto e decomposto por Cesariny: o corpo-Cesariny-surrealista como fundador da existência. Cesariny opera com a subversão do cogito, ergo sum cartesiano (" Penso, logo existo "), fato que se apresenta em concordância com a superação do racionalismo proposta pelo surrealismo desde Breton. No desenvolvimento desta leitura, evidenciar-se-ão os modos pelos quais o corpo aparece como elemento indissociável da escrita, e a escrita, por seu turno, aparece como impulso vital (isto é, sem o controle rígido da razão), ou mesmo como necessidade biológica – com ênfase para a indistinção surrealista entre vida e obra. Abstract This article examines the space that the body occupies in Mario Cesariny Vasconcelos's surrealist poetry. I therefore propose a reading of the " written-body " as it was modulated, composed and decomposed by Cesariny: the surrealistic-Cesariny-body as founder of existence. Cesariny operates through the subversion of cogito, ergo sum Cartesian ("I think, therefore I am"), a characteristic that appears consistent with the objective of overcoming rationalism as proposed by Breton surrealism. In this reading of Cesariny, I will show ways in which the body appears as an inseparable element of writing, and writing, in turn, appears as a vital impulse (ie, without the strict control of reason), and even as biological necessity – through an emphasis on the surreal blurring between life and art. Não creio ser possível pensar os surrealismos todos, em suas plurais variações – nacionais ou internacionais –, sem que se considere a sua metafísica fundadora: o inconsciente: fonte dos muitos mistérios e possiblidade das almejadas transformações. Em outras palavras, que seja devidamente valorizado o desenvolvimento da psicanálise, a grande disparadora de uma nova maneira de encenar os mistérios da humanidade. Há, além, outras metafísicas surrealistas a serem consideradas: a mística/mágica/esotérica. Concentro-me, entretanto, no polo oposto e complementar da fundação das manifestações surrealistas:
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This paper is an approach to the appropriation of the poem " EDDORA ADDIO… MIA SOAVE!... " , written by Ângelo de Lima, first by the Orpheu poets, then by the poets of Poesia Experimental (PoEx) and finally by Herbert Helder, in his... more
This paper is an approach to the appropriation of the poem " EDDORA ADDIO… MIA SOAVE!... " , written by Ângelo de Lima, first by the Orpheu poets, then by the poets of Poesia Experimental (PoEx) and finally by Herbert Helder, in his Anthology of Connecting Voices of Modern Portuguese Poetry (Edoi Lelia Doura). The focus of the approach rests on the relationship between poetry, genius and madness. In addition to the formal elaborations and links with poetic innovation it matters to establish some of the thematic links between the Ângelo Lima poetic's stance and poetry advocated and practiced by these poets.
